Blog

20 ABR

Conheça a história do alfabeto braille

O alfabeto Braille foi inventado por um jovem de apenas 15 anos 

Louis Braille era um menino francês de apenas 3 anos quando perdeu a visão em um acidente, no ano de 1812. Apesar das inúmeras tentativas dos seus pais de reverter o dano ocorrido, as córneas foram totalmente comprometidas e a cegueira se tornou permanente. 

Apesar disso, Louis sempre surpreendeu a todos com sua inteligência e capacidade de aprender, mesmo sem um sistema inclusivo na escola que possibilitasse a leitura. 

Pouco tempo depois, aos 10 anos de idade, Louis recebeu uma bolsa na primeira escola para cegos, o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris. Lá ele aprendia com um sistema parecido da escola anterior, decorando e repetindo as lições da sala de aula e tinha acesso a um raro acervo de livros para pessoas que não enxergam, no método de Valentin Haüy (fundador do Instituto). Este simulava o contorno das letras em relevo e para escrita, utilizava caracteres especiais móveis. 

 

O jovem Louis Braille desde cedo se preocupou com a necessidade de um sistema de escrita e leitura mais adequado, de fácil aprendizagem que possibilitasse o acesso à educação de todas as pessoas cegas, o que o levou a buscar soluções alternativas. 

Foi então que se deparou com um sistema de leitura noturna, inventado por Charles Barbier de la Serre, capitão de artilharia do exército de Louis XIII. Ele permitia que os soldados entendessem as ordens do superior mesmo durante a noite, sem comunicação verbal.

Porém a estrutura ainda era muito complexa e voltada aos fonemas, dificultando a escrita. Neste sistema também não existiam sinais matemáticos, pontuações, acentos ou notação musical. 

Louis Braille então se dedicou a aprimorá-lo e concluiu um novo sistema com 63 sinais aos 15 anos de idade.  Cerca de 11 anos depois, mesmo com a saúde prejudicada pela tuberculose, continuou a desenvolver atualizações do sistema, publicando diversas obras que facilitassem o aprendizado. Em 1839 ele considerou que o seu sistema estava pronto para uso. A adoção à nova técnica, hoje conhecida por todos como alfabeto Braille, ocorreu somente 5 anos depois, no mesmo instituto em que Louis um dia foi aluno. 

 

O alfabeto Braille no Brasil

Um escritor muito rico que morava no Brasil enviou o seu filho José Álvares (já nascido cego) ao Instituto de Paris. Ele aprendeu o método desenvolvido por Louis e entusiasmado, trouxe-a ao Brasil. Se aproximou do imperador que se encantou com o que viu e foi convencido a fundar o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje conhecido como Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro. 

Infelizmente o jovem não conseguiu ver seu sonho realizado e faleceu antes da fundação da escola, aos 20 anos de idade. No Brasil, sua data de nascimento foi escolhida como modo de homenageá-lo, tornando o dia 8 de abril o Dia Nacional do Braille.  

O alfabeto Braille foi adotado mundialmente como o sistema de escrita e leitura para pessoas cegas, possibilitando a aprendizagem de milhões de pessoas. Ele também é aplicado nas mais diversas embalagens, placas e objetos, tornando a sociedade mais inclusiva e possibilitando a independência daqueles que não enxergam.